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Infraestrutura

R$ 2 trilhões em tech até 2029: data centers no centro

Gabriel Ferraresi· CEO | Tech866 de outubro de 20263 min
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O Brasil vai investir 2 trilhões de reais em tecnologia entre 2026 e 2029. O número é da Brasscom: 2 tri no total, com 765,6 bilhões em cloud, 736,6 bilhões em IA e 252,4 bilhões em data centers.

Só em 2025, o macrosetor de TI já movimentou 919,7 bilhões de reais, 7,2% do PIB, com alta de 15% em um ano. O país que tratava tecnologia como setor está tratando como base.

O presente e a fila

O retrato atual já é relevante: 205 data centers operacionais e matriz elétrica 88% renovável. O retrato que decide a década está na fila: 38 gigawatts em pedidos de conexão, alta de 330% entre 2024 e 2025. Desses, 7,1 GW já estão em estágio avançado, o equivalente a 28,7 bilhões de dólares em investimentos.

Para dar escala ao número: 38 GW é dezenas de vezes a capacidade conectada do setor hoje. A fila não é sinônimo de obra, mas é a melhor proxy de intenção de capital que existe: empresas pedem conexão quando a decisão de investir já foi tomada.

Por que energia mudou de lado no tabuleiro

A IA transformou energia no gargalo global da década. Data center que não consegue watts não é projeto, é renderização. E é aqui que o Brasil joga com baralho diferente: matriz 88% renovável num mundo que precisa descarbonizar exatamente a carga que a IA está criando.

O contraste internacional é direto: mercados maduros disputam energia com filas de transmissão de anos e resistência social a nova geração. O Brasil tem demanda, energia limpa e, agora, um instrumento fiscal aprovado.

O gargalo que restava e a lei que o destravou

O ponto fraco era o custo: construir data center no Brasil custa 36% a mais que nos Estados Unidos, sobretudo por carga tributária sobre equipamentos.

É esse gargalo que o ReData, aprovado pelo Senado em 1º de setembro, ataca: suspensão por cinco anos de Imposto de Importação, PIS Cofins e IPI na compra de equipamentos, com contrapartidas de mercado interno, energia limpa e eficiência hídrica. A janela fiscal que estava fechada abriu. Falta transformar fila em obra, que é sempre a parte mais difícil.

O que isso significa para quem não é gigante

A onda não é só dos hyperscalers. Três efeitos chegam às empresas comuns:

  1. Capacidade local com latência local: mais data center em solo nacional significa mais opções para hospedar carga brasileira perto do usuário, com latência que a distância internacional não permite e soberania de dados por padrão.
  2. Preço competitivo: escala chegando ao mercado doméstico pressiona o custo de infraestrutura para baixo, do colocation ao hosting gerenciado.
  3. Ecossistema: fornecedores, integrações e talentos se adensam ao redor dos polos de data center. Quem opera infraestrutura nacional compra desse ecossistema mesmo sem construir um rack.

Conclusão

2 trilhões de reais é um plano de país, não de setor. O que faz planos assim virarem realidade é a conversão da fila: 38 GW pedidos, 7,1 GW adiantados, tributo destravado.

Para a empresa que decide hoje onde hospedar a carga dos próximos cinco anos, o mapa mudou: infraestrutura nacional deixou de ser plano B tributário e virou tese de produto, com energia limpa, latência e jurisdição a favor. A janela está aberta, para o país e para quem souber ocupá-la.

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Perguntas Frequentes

R$ 2 trilhões entre 2026 e 2029, segundo a Brasscom: R$ 765,6 bilhões em cloud, R$ 736,6 bilhões em IA e R$ 252,4 bilhões em data centers. Só em 2025, o macrosetor de TI movimentou R$ 919,7 bilhões, 7,2% do PIB, com alta de 15% em um ano.

205 data centers operacionais e uma fila de 38 gigawatts em pedidos de conexão (alta de 330% entre 2024 e 2025), dos quais 7,1 GW já estão em estágio avançado, equivalentes a 28,7 bilhões de dólares em investimentos. A matriz elétrica é 88% renovável, um diferencial num mercado em que energia virou o gargalo da IA.

O custo de construção está 36% acima do dos Estados Unidos, principalmente por carga tributária sobre equipamentos. É exatamente esse gargalo que o ReData ataca: com a suspensão de impostos na compra de equipamentos aprovada pelo Senado, a conta do CAPEX começa a se fechar.

Três coisas: mais capacidade local (latência menor e soberania de dados para cargas brasileiras), preços de infraestrutura mais competitivos com a escala chegando, e um ecossistema de fornecedores e talentos que cresce ao redor dos data centers. Quem hospeda carga nacional sai beneficiado mesmo sem construir nada.

Fila que não vira obra: energia, licenciamento e tributos são os três gargalos clássicos. O ReData destravou o tributo, mas a execução dos 38 GW depende de transmissão e permissivos. Para o mercado, o sinal de alerta é a comparação internacional: capital vai para onde a conta fecha primeiro.

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