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Segurança

Bypass de Autenticação no GlobalProtect: O Perímetro Quebrou

Gabriel Ferraresi· CEO | Tech8631 de maio de 20264 min
vpnglobalprotectpalo altoauthentication bypasszero-trust

Alguém entrou na VPN sem credenciais. Não precisou de senha, não precisou de segundo fator — forjou um cookie de autenticação e a VPN aceitou. O CVE-2026-0257 no PAN-OS GlobalProtect da Palo Alto faz exatamente isso: bypass de autenticação com CVSS 9.1, CISA KEV com prazo de 1º de junho, e exploração ativa desde 17 de maio. Na Tech86, vemos isso como o que realmente é — quando a VPN aceita cookies forjados, o perímetro não está protegendo.

O bug: authentication override cookies viraram porta aberta

O GlobalProtect suporta authentication override cookies — um mecanismo de reautenticação que permite que usuários reconectem sem novo login quando o cookie é válido. Em tese, é conveniência. Na prática, virou o vetor de entrada.

A vulnerabilidade permite que um atacante não autenticado forge o cookie e estabeleça conexão VPN direta à rede interna. Sem credenciais. Sem MFA. Sem interação do usuário. O atacante entra pela VPN como se fosse um funcionário legítimo — o perímetro está completamente bypassado.

A configuração vulnerável é específica, mas não rara: Cloud Auth desabilitado + auth override cookies habilitados + certificado de cookie encryption compartilhado com HTTPS. Quando os três estão presentes, o appliance aceita o cookie forjado. Se o seu ambiente tem esse perfil, o patch é urgente.

A exploração: dados reais da Rapid7 MDR

Isso não é teoria. A Rapid7 MDR detectou a primeira onda de exploração em 18 de maio, no ambiente de um cliente na Vultr. O hostname do dispositivo comprometido: "GP-CLIENT". MAC address spoofado: aa:bb:cc:dd:ee:ff. Três dias depois, em 21 de maio, uma segunda onda atingiu outro cliente, na Dromatics. Hostname: "DESKTOP-GP01". Mesmo MAC — mesmo ator.

Os números são reveladores: em 8 de cada 10 clientes analisados, o cookie forjado foi aceito sem sequer atribuir um IP VPN. Em 2 de cada 10, o atacante obteve acesso completo à rede interna. A diferença entre os dois cenários depende da configuração específica do gateway — mas em ambos, o perímetro foi violado.

O padrão de exploração é consistente: o atacante forja o cookie, conecta ao GlobalProtect, e se a configuração permite, navega pela rede interna como um funcionário autenticado. Não há brute force, não há phishing, não há engenharia social. É um bypass direto e silencioso.

A discrepância: "medium" não é medium

A Palo Alto classificou a vulnerabilidade como "medium". O argumento: requer configuração específica. A Rapid7 discordou publicamente, e nós concordamos com a Rapid7.

Auth bypass em uma VPN internet-facing que coloca atacantes dentro da rede interna não é medium. É crítico. O fato de depender de uma configuração específica não reduz a severidade — reduz o número de alvos, mas não o impacto em quem é afetado. Vendor classificar como "medium" uma vulnerabilidade que dá acesso não autenticado à rede interna é um problema de comunicação, não de severidade.

O precedente é recente e grave: CVE-2024-3400, CVSS 10.0, mesma superfície GlobalProtect, explorado por state-sponsored actors em horas. A Palo Alto VPN é um dos appliances mais visados do mercado. A janela entre disclosure e exploração ativa é medida em horas, não dias.

O que fazer agora

O stopgap é claro: desabilite auth override cookies ou gere um certificado dedicado para cookie encryption que não seja compartilhado com HTTPS. Essas mitigações reduzem a superfície imediatamente, mas não substituem o patch. PAN-OS atualizado em todas as branches, sem exceção.

A Rapid7 publicou um script PoC no GitHub. Use para testar seus appliances. Se o cookie forjado é aceito, o appliance está vulnerável — independentemente do que o vendor classifica.

Monitore logs ativamente. Os indicadores de comprometimento documentados são hostnames "GP-CLIENT" e "DESKTOP-GP01" e o MAC address aa:bb:cc:dd:ee:ff. Se qualquer um aparece nos seus logs, a rede interna já foi acessada. Não é tentativa — é comprometimento confirmado.

A lição: VPN é perímetro

VPN é o perímetro. Quando aceita cookies forjados, a rede fica exposta. Essa vulnerabilidade reforça o que defendemos na Tech86: confiança não deve ser delegada a um único controle de perímetro. Arquiteturas zero-trust verificam identidade em cada acesso, não apenas na porta de entrada.

Se alguém entra na sua VPN sem credenciais, o perímetro não está protegendo. Se o vendor classifica isso como "medium", o problema é de comunicação — não de severidade. Auditamos perímetro e desenhamos arquiteturas zero-trust porque a realidade dos ataques não espera classificação do vendor.

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Perguntas Frequentes

É uma vulnerabilidade de bypass de autenticação no PAN-OS GlobalProtect da Palo Alto. Um atacante não autenticado pode forjar um authentication override cookie e estabelecer conexão VPN direta à rede interna, sem credenciais, sem MFA, sem interação.

Ela está vulnerável se três condições estão presentes simultaneamente: Cloud Auth desabilitado, auth override cookies habilitados e certificado de cookie encryption compartilhado com HTTPS. Verifique essas configurações imediatamente.

Desabilite auth override cookies ou gere um certificado dedicado para cookie encryption que não seja compartilhado com HTTPS. Essas são mitigações temporárias — o patch deve ser aplicado assim que possível.

O argumento do vendor é que a vulnerabilidade requer uma configuração específica. Mas auth bypass em VPN internet-facing que coloca atacante dentro da rede não é medium — é um problema de comunicação, não de severidade. A Rapid7 discordou publicamente da classificação.

Busque nos logs do GlobalProtect por hostnames GP-CLIENT e DESKTOP-GP01 e pelo MAC address aa:bb:cc:dd:ee:ff. Esses indicadores de comprometimento foram documentados pela Rapid7 MDR. Se encontrou, a rede interna já foi acessada.

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