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Segurança

ksmbd: duas RCE 9.0 no kernel Linux sem patch e sem CVE

Gabriel Ferraresi· CEO | Tech8629 de outubro de 20263 min
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O kernel Linux tem hoje duas falhas de execução remota com detalhes públicos e nenhum patch disponível. A pior parte: uma delas nem exige senha.

O caso é do ksmbd, o servidor SMB embutido no próprio kernel, a peça que faz um servidor Linux falar o protocolo de arquivos do Windows. A ZDI, o programa de pesquisa da Trend Micro, classificou as duas com nota 9.0.

As duas falhas

A primeira, ZDI-CAN-33774, é uma corrida no despacho de protocolo que roda sem autenticação: uma rajada de pacotes SMB1 seguida de um pacote SMB2 na mesma conexão faz o worker processar dados de um com o handler do outro, lendo além do fim do buffer. A segunda, ZDI-CAN-33549, é um subfluxo de inteiro no caminho SMB Direct, e pede três coisas: interface com RDMA, compartilhamento gravável e um cliente negociando SMB Direct.

O estado da correção é o que assusta

Nenhuma das duas tem correção nomeada no kernel principal nem na árvore de integração, e o projeto do kernel só atribui identificador CVE depois que a correção chega à árvore estável, o que significa que hoje essas falhas não têm CVE, só detalhes públicos. O mantenedor do caminho SMB Direct enviou correção para um dos casos mirando o próximo ciclo de desenvolvimento, segundo a cobertura técnica, e ainda leva semanas até a correção descer às distribuições.

A história por trás da divulgação

Os relatórios saíram da TrendAI, o scanner de IA da própria Trend Micro, e foram copiados para as listas públicas do kernel junto com o canal privado, sem patch nenhum anexado.

A documentação de segurança do kernel, atualizada em maio sob orientação de Linus Torvalds, diz que bug encontrado por IA é, por definição, bug já público. O mantenedor do kernel estável respondeu que, sem patch e em lista pública, não havia muito a fazer, e pediu que o processo de submissão fosse corrigido.

O que fazer, em dois comandos

Para quem opera, a checagem é de dois comandos: systemctl status ksmbd e lsmod | grep ksmbd confirmam se o módulo está ativo. O Red Hat Enterprise Linux não traz ksmbd por padrão, e servidor que não precisa de SMB no kernel resolve o risco desligando o módulo e fechando a porta 445. Quem precisa do serviço, mantém a superfície atrás de firewall e acompanha a árvore estável.

É o mesmo desenho de resposta do RCE no kernel Windows via SMB/RDP: patch quando existe, e enquanto não existe, superfície mínima e segmentação. E é a mesma semana do PHP2Shell: o mês produziu dois casos maiores nascidos do mesmo vazio, a janela entre o detalhe público e a correção disponível.

Na Tech86, governança de superfície de kernel é projeto: inventariar o que roda, o que expõe porta e o que desligar até a correção descer à distribuição.

Conclusão

A janela entre detalhes públicos e correção disponível é o único período que o atacante precisa. Do PHP ao kernel, os dois casos maiores do mês nasceram do mesmo vazio, e a regra nova que tratava achado de IA como coisa pública abriu esse vazio por escrito. O inventário de superfície é o que fecha a diferença enquanto o patch não chega.

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Perguntas Frequentes

É o servidor SMB embutido no próprio kernel Linux, a peça que faz um servidor Linux falar o protocolo de arquivos do Windows. Importa porque roda em ring 0: uma falha ali é falha no kernel, não num daemon. A ZDI, o programa de pesquisa da Trend Micro, classificou as duas falhas atuais com nota 9.0.

A ZDI-CAN-33774 é uma corrida no despacho de protocolo que roda sem autenticação: uma rajada de pacotes SMB1 seguida de um pacote SMB2 na mesma conexão faz o worker processar dados de um com o handler do outro, lendo além do fim do buffer. A ZDI-CAN-33549 é um subfluxo de inteiro no caminho SMB Direct, e pede três coisas: interface com RDMA, compartilhamento gravável e um cliente negociando SMB Direct.

Porque o projeto do kernel só atribui identificador CVE depois que a correção chega à árvore estável. Nenhuma das duas tem correção nomeada no kernel principal nem na árvore de integração, então hoje elas não têm CVE, só detalhes públicos. O mantenedor do caminho SMB Direct enviou correção para um dos casos mirando o próximo ciclo, segundo a cobertura técnica.

Os relatórios saíram da TrendAI, o scanner de IA da própria Trend Micro, e foram copiados para as listas públicas do kernel junto com o canal privado, sem patch nenhum anexado. A documentação de segurança do kernel, atualizada em maio sob orientação de Linus Torvalds, diz que bug encontrado por IA é, por definição, bug já público. O mantenedor do kernel estável respondeu que, sem patch e em lista pública, não havia muito a fazer.

A checagem é de dois comandos (systemctl status ksmbd e lsmod | grep ksmbd). Servidor que não precisa de SMB no kernel desliga o módulo e fecha a porta 445. Quem precisa mantém a superfície atrás de firewall e acompanha a árvore estável. É a mesma lição do mês: [a janela entre detalhe público e correção é o único período que o atacante precisa](https://www.tech86.com.br/blog/php2shell-cve-109618-109619-emergencia).

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