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Segurança

Brasil em 3º Lugar Global em Ransomware: The Gentlemen, FortiGate e 241 Dias de Dwell Time

Gabriel Ferraresi· CEO | Tech8618 de julho de 20264 min
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O Brasil estreou em 3º lugar global em ransomware. Junho de 2026. Segundo a Ransomware.live, foram 23 ataques em um mês, atrás apenas de Estados Unidos (199) e Alemanha (49). Primeira vez que o Brasil entra no Top 10 desde que a Ransomware.live começou a publicar dados. Nós acompanhamos a curva subir ao longo de 2026 e o sinal é claro: não é um pico pontual, é um sintoma estrutural.

O grupo por trás do salto: The Gentlemen

O grupo por trás do salto se chama The Gentlemen. Segundo a Ransomware.live, surgiu em meados de 2025 como dissidência do Qilin. Em um ano, passou de zero para 580 vítimas em 77 países. No segundo trimestre de 2026, liderou o ranking global de grupos de ransomware.

O método é o que diferencia. Segundo a documentação da operação, o grupo mantém um banco de dados curado de 14.700 dispositivos FortiGate pré-comprometidos. A exploração usa o CVE-2024-55591, bypass de autenticação com CVSS 9.8. Quando querem atacar uma empresa, escolhem um FortiGate já comprometido na lista e entram com acesso de super-administrador. Não há phishing inicial, não há brute force, a porta já estava aberta.

Segundo a Ransomware.live, o Brasil é o 4º país mais visado pelo The Gentlemen, com 19 vítimas confirmadas no primeiro trimestre de 2026. A concentração de FortiGate vulneráveis na infraestrutura brasileira é o motivo.

O custo disso: Pix, BMP e BTG Pactual

Os casos reportados no ecossistema de pagamentos brasileiro mostram a dimensão. C&M Software, julho de 2025: acesso ao sistema de pagamentos Pix, prejuízo estimado em mais de 1 bilhão de reais. BMP sozinha perdeu 541 milhões de reais. BTG Pactual, março de 2026: 100 milhões de reais desviados via Pix, operação suspensa temporariamente.

Não apresentamos esses casos como incidentes de ransomware especificamente, são comprometimentos de sistema de pagamentos via Pix, relacionados ao ecossistema mais amplo de ameaças financeiras. Mas o padrão é o mesmo: acesso indevido, dwell time longa, detecção tardia.

Segundo o IBM Cost of a Data Breach 2025, o custo médio de um data breach no Brasil é de 7,19 milhões de reais. Segundo o Sophos State of Ransomware 2025, 73% das empresas brasileiras já foram vítimas de ransomware. O Brasil não é mais um alvo secundário, é um dos três primeiros.

FortiBleed e a Recomendação 12/2026 do CTIR Gov

Segundo o CTIR Gov, a Recomendação 12/2026 emitida em 24 de junho aponta 39 domínios brasileiros afetados e 309 credenciais comprometidas. A campanha FortiBleed expôs 73.932 dispositivos FortiGate globalmente. Brasil em 11º lugar com 1.737 dispositivos.

A correlação com o salto do The Gentlemen é direta. O grupo escolhe alvos onde há FortiGate vulnerável. O Brasil tem FortiGate vulnerável. A matemática é simples, e o resultado aparece no ranking.

O que a Tech86 implementa

Nós implementamos cinco camadas de defesa que cobrem exatamente o kill chain do The Gentlemen:

  1. EDR comportamental com resposta automatizada, isola o host em segundos quando detecta comportamento de criptografia. Não espera assinatura, observa comportamento.
  2. SOC 24/7 com MDR, segundo o IBM Cost of a Data Breach 2025, a dwell time média no Brasil é de 241 dias. O SOC encurta isso para horas correlacionando alertas que se perdem no ruído.
  3. Pentest anual obrigatório, a BACEN Resolução 5.274 exige. O pentest encontra a brecha antes do criminoso. O CVE-2024-55591 deveria ter sido encontrado internamente.
  4. Conscientização com simulação de phishing, a maioria dos ataques começa com erro humano. Phishing é o vetor número 1 de ransomware.
  5. WAF com Virtual Patching, fecha a porta da frente enquanto o patch oficial não chega. Crítico para CVE-2024-55591, onde o ciclo de patch da Fortinet pode atrasar.

Conclusão

O Brasil entrou no ranking por causa de FortiGate vulnerável e 241 dias de dwell time. Os atacantes escolhem alvos fáceis. O Brasil está fácil. Enquanto a média global de detecção cai, a brasileira permanece em 241 dias, oito meses de janela para o atacante mapear, exfiltrar e posicionar o ransomware. Nós ajudamos empresas a fechar essa janela antes que o The Gentlemen escolha o próximo FortiGate da lista.

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Defesa contra Ransomware e MDR

Perguntas Frequentes

Segundo a Ransomware.live, o Brasil registrou 23 ataques em um mês, atrás apenas de Estados Unidos (199) e Alemanha (49). Foi a primeira vez que o Brasil entrou no Top 10 desde que a Ransomware.live começou a publicar dados. A concentração de FortiGate vulneráveis na infraestrutura brasileira é o motivo estrutural.

Segundo a Ransomware.live, o The Gentlemen surgiu em meados de 2025 como dissidência do Qilin. Em um ano, passou de zero para 580 vítimas em 77 países e liderou o ranking global de grupos de ransomware no segundo trimestre de 2026. O método: 14.700 dispositivos FortiGate pré-comprometidos, explorando o CVE-2024-55591 (bypass de autenticação com CVSS 9.8). O grupo mantém um banco de dados curado de firewalls Fortinet já invadidos e entra com acesso de super-administrador.

O CVE-2024-55591 é um bypass de autenticação em firewalls FortiGate com CVSS 9.8. Permite que um atacante entre com acesso de super-administrador sem credenciais válidas. O The Gentlemen mantém um banco de dados curado de 14.700 FortiGate já comprometidos via essa vulnerabilidade. Quando querem atacar uma empresa, escolhem um FortiGate da lista e entram diretamente.

Segundo o IBM Cost of a Data Breach 2025, o custo médio de um data breach no Brasil é de 7,19 milhões de reais. Casos reportados no ecossistema Pix incluem C&M Software (mais de 1 bilhão de reais em prejuízo estimado, com BMP sozinha perdendo 541 milhões de reais) e BTG Pactual (100 milhões de reais desviados via Pix em março de 2026). Segundo o Sophos State of Ransomware 2025, 73% das empresas brasileiras já foram vítimas de ransomware.

Dwell time é o tempo que um atacante permanece dentro da rede antes de ser detectado. Segundo o IBM Cost of a Data Breach 2025, a dwell time média no Brasil é de 241 dias. Em 241 dias, o atacante mapeia a rede, exfiltra dados, move lateralmente e posiciona o ransomware. Sem SOC 24/7 com MDR, a empresa descobre o ataque quando a criptografia já terminou, tarde demais.

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